CID odontológico: lista dos códigos mais usados (K00 a K14)
Tabela enxuta dos CIDs odontológicos mais usados, o que significam K04, K05, K08 e Z01.2, qual CID usar em cada procedimento e como usar no atestado.
CID odontológico é o conjunto de códigos da CID-10 usados para registrar diagnósticos da boca e dos dentes, concentrados no Capítulo XI, de K00 a K14. Os mais comuns são K02 (cárie), K04 (polpa e região periapical), K05 (gengivite e periodontite), K08 (perda de dentes e outras afecções) e Z01.2 (exame dentário).
Este guia é para dentista, ASB e recepcionista que precisam do código certo na hora, sem abrir PDF de 80 páginas. A ideia é você sair daqui sabendo achar o CID, usar no atestado e não confundir com o código do procedimento. Salve esta página ou imprima a lista: ela serve de cola ao lado do computador.
Passo 1 — O que é o CID odontológico e onde ele aparece?
O CID é a classificação de doenças da OMS, e na Odontologia usamos principalmente a CID-10. O Capítulo XI cobre o aparelho digestivo, e os códigos K00 a K14 tratam de boca, dentes, glândulas salivares e maxilares. A CID-OE é a aplicação da CID à Odontologia e Estomatologia, publicada pela OMS e adotada pelos CROs.
Ele aparece em:
- atestado e declaração de comparecimento;
- laudo e encaminhamento;
- guia de convênio;
- prontuário.
Um ponto que confunde muita gente: o CID registra o diagnóstico. O procedimento tem outro código, o da TUSS/TISS, padrão definido pela ANS. Voltamos a isso no Passo 4.
A OMS já publicou a CID-11, mas a CID-10 segue como referência nos sistemas e documentos no Brasil. Confira sempre a orientação oficial vigente (Ministério da Saúde, DATASUS e seu CRO).
Passo 2 — Quais são os CIDs odontológicos mais usados?
Os mais usados vão de K00 a K14, mais dois códigos de fora do capítulo. Abaixo, em linguagem simples, com um exemplo clínico em cada um:
- K00 — desenvolvimento e erupção dos dentes. Ex.: dente supranumerário, agenesia, erupção tardia.
- K01 — dentes inclusos e impactados. Ex.: terceiro molar incluso (K01.1 é o incluso).
- K02 — cárie dentária. K02.0 limitada ao esmalte, K02.1 da dentina, K02.2 do cemento.
- K03 — outras doenças dos tecidos duros. Ex.: desgaste, abrasão; K03.6 depósitos (cálculo) nos dentes.
- K04 — polpa e periápice. K04.0 pulpite, K04.1 necrose da polpa.
- K05 — gengivite e periodontite. K05.1 gengivite crônica, K05.3 periodontite crônica.
- K06 — outros transtornos da gengiva e do rebordo sem dentes. Ex.: retração gengival.
- K07 — anomalias dentofaciais. Ex.: maloclusões; K07.6 transtornos da ATM.
- K08 — outros transtornos dos dentes e estruturas de suporte. K08.1 perda de dentes, K08.3 raiz retida.
- K09 — cistos da região bucal. Ex.: cisto odontogênico.
- K10 — outras doenças dos maxilares. Ex.: lesões ósseas e osteíte.
- K11 — glândulas salivares. Ex.: sialolitíase, xerostomia.
- K12 — estomatite e lesões correlatas. Ex.: aftas.
- K13 — lábios e mucosa oral. Ex.: leucoplasia, lesões de mucosa.
- K14 — doenças da língua. Ex.: glossite.
E dois códigos que aparecem no dia a dia mesmo estando fora do K00–K14: S02.5 (fratura de dente, comum em trauma) e Z01.2 (exame dentário).
Passo 3 — O que significam K08, K08.1, K08.8, K04, K05 e Z01.2?
São as perguntas que mais chegam na recepção, então vão em formato de resposta curta:
- K08: outros transtornos dos dentes e das estruturas de apoio. É um grupo, não um diagnóstico único.
- K08.1: perda de dentes devida a acidente, extração ou doença periodontal local. Aparece muito em planejamento de prótese.
- K08.8: outras afecções especificadas dos dentes e das estruturas de suporte.
- K04: doenças da polpa e dos tecidos periapicais, como pulpite, necrose e abscesso periapical.
- K05: gengivite e doenças periodontais.
- Z01.2: exame dentário, ou seja, check-up, consulta de rotina e ação programática.
Sempre confirme o subcódigo na tabela oficial antes de lançar. Memória prega peça, e eu mesma já troquei dígito de código médico por pressa.
Passo 4 — Qual CID usar para restauração, canal, extração e outros procedimentos?
O CID segue o diagnóstico que o dentista estabelece, não o procedimento. Por isso o quadro abaixo mostra o código provável, nunca obrigatório:
- Restauração por cárie: K02.x, conforme a profundidade (esmalte, dentina ou cemento). Em trauma, pode ser S02.5.
- Canal: K04.0, K04.1 ou outro K04.x, conforme o quadro.
- Extração: K08.1 ou o diagnóstico que motivou a extração (K02, K04 ou K05).
- Dente incluso ou siso: K01.x.
- Raspagem e gengivite: K05.x ou K03.6 (cálculo).
- Check-up: Z01.2.
Essa tabela é orientação, não substitui o julgamento clínico. Se o diagnóstico é outro, o código é outro.
Na guia de convênio aparecem dois códigos diferentes. O CID diz o que o paciente tem. O código de procedimento (TUSS/TISS, da ANS) diz o que você fez. Um colega me contou que viu guia voltar por ter colocado o código do procedimento no campo do diagnóstico. Parece bobagem, mas acontece.
E o odontograma ajuda aqui, porque diagnóstico e dente ficam juntos. Veja mais sobre odontograma digital e plano de tratamento.
Passo 5 — Como usar o CID no atestado odontológico?
O dentista pode atestar estados mórbidos no âmbito da sua atividade, com base na Lei 5.081/1966. Em caso de dúvida sobre limites e formato, confirme com o CFO ou com o seu CRO.
Já o CID no atestado exige autorização do paciente. É dado de saúde, considerado sensível pela LGPD (Lei 13.709/2018). Sem autorização, o atestado vale do mesmo jeito, só que sem o código. E nem todo atestado precisa de CID: a pergunta certa é se o paciente quer e autorizou.
Elementos mínimos do atestado:
- identificação do paciente;
- período de afastamento ou tempo de comparecimento;
- data;
- assinatura e número do CRO.
O modelo completo está em como preencher atestado com CID-10. Sobre sigilo na rotina da clínica, veja LGPD no consultório.
Passo 6 — Como achar o código certo sem errar (e sem decorar)?
Ninguém decora tudo, e nem precisa. Siga esta sequência:
- Defina o diagnóstico clínico, antes de pensar no código.
- Localize o grupo (K00 a K14).
- Escolha o subcódigo que descreve melhor o caso.
- Confira na tabela oficial do CRO ou da OMS.
Os erros mais comuns:
- usar o código do procedimento no lugar do CID;
- escolher K08.9 (não especificado) por pressa;
- esquecer o subcódigo;
- divergir entre prontuário e guia.
A boa prática é registrar o CID no prontuário na hora do atendimento, ligado ao odontograma e à evolução. Assim o código do atestado e o da guia saem iguais ao que está anotado. Se está escolhendo sistema, leia o que avaliar em um prontuário eletrônico gratuito.
No Consultório Grátis você consulta o CID durante o atendimento e registra no prontuário, com plano gratuito para começar. A escolha do código continua sendo do profissional.
Passo 7 — Onde consultar a lista oficial completa?
A referência final é sempre a lista oficial. Nossa tabela é um recorte de uso prático, não substitui as fontes:
- tabela CID-OE dos CROs (por exemplo CROGO, CROPR e CRORS);
- CID-10 da OMS;
- CID-10 no DATASUS.
Salve esta página nos favoritos e confira de tempos em tempos se há atualização, principalmente por causa da transição para a CID-11.
Como saber se deu certo?
Deu certo quando o código do prontuário, do atestado e da guia é o mesmo, e o campo de procedimento (TUSS) traz outro código. Se a recepção sabe a diferença entre os dois e o paciente só vê CID no atestado quando autorizou, a rotina está redonda.
Dica para hoje: imprima a lista do Passo 2, cole ao lado do computador e, no próximo atendimento, anote o CID no prontuário antes de preencher qualquer documento.
Perguntas frequentes
O que é CID K08?
É o grupo de outros transtornos dos dentes e das estruturas de suporte: perda de dentes (K08.1), atrofia do rebordo alveolar (K08.2), raiz retida (K08.3) e outras afecções (K08.8). Confirme sempre o subcódigo na tabela oficial antes de usar.
O que significa CID K04?
Refere-se às doenças da polpa e dos tecidos periapicais: pulpite (K04.0), necrose da polpa (K04.1), periodontite apical e abscesso periapical. É o código típico de tratamento endodôntico. Quando alguém escreve K04-1, o correto é K04.1, necrose da polpa.
Qual o CID Z01.2?
É o exame dentário. Usa-se em consulta de rotina, check-up e ações programáticas, quando não há doença diagnosticada.
O que é CID K05?
É o grupo de gengivite e doenças periodontais: gengivite aguda (K05.0) e crônica (K05.1), periodontite aguda (K05.2) e crônica (K05.3).
Qual é o CID K08.1 e o que significa?
K08.1 é perda de dentes devida a acidente, extração ou doença periodontal local. Pode aparecer em planejamento de prótese.
Qual o CID para restauração dentária?
Em geral K02 (cárie), com subcódigo conforme esmalte, dentina ou cemento. Em caso de trauma, pode ser S02.5. O código depende do diagnóstico, não do procedimento.
O dentista pode colocar o CID no atestado?
Sim, quando houver autorização do paciente, por tratar-se de dado sensível pela LGPD. Sem autorização, emita o atestado sem CID. Na dúvida, confirme a orientação com o seu CRO.