Ficha de Anamnese: Modelo Pronto, Como Fazer e Campos Essenciais

Ficha de Anamnese: Modelo Pronto, Como Fazer e Campos Essenciais

Ficha de anamnese: o que é, ordem correta, modelo pronto para copiar e campos extras para estética, odontologia e psicologia, com LGPD e guarda.

Ficha de anamnese é o documento em que o profissional registra, por meio de entrevista, o histórico do paciente: dados pessoais, queixa principal, doenças, alergias, medicamentos e hábitos. Ela orienta a conduta com segurança e integra o prontuário. Abaixo há um modelo pronto e os campos extras para estética, odontologia e psicologia.

Eu atendo há 12 anos no meu consultório e já vi ficha de todo jeito: a de uma linha só, a de quatro páginas que ninguém lê, a que o paciente preenche com letra de médico. A dúvida costuma ser a mesma: o que perguntar, em que ordem e o que fazer com a ficha depois. Então vou direto ao ponto, com modelo para copiar aqui mesmo, sem cadastro e sem baixar nada.

O que é uma ficha de anamnese e para que serve?

Anamnese é a entrevista em que o profissional levanta o histórico de saúde de quem vai atender, e a ficha é o documento que registra essa conversa. A palavra vem do grego e significa recordação: o paciente recorda, você anota.

Ela serve para identificar riscos, contraindicações e interações antes de qualquer conduta, e para deixar o histórico documentado. Daqui a seis meses, quando alguém perguntar o que foi combinado, a resposta está escrita.

Anamnese não substitui exame físico nem avaliação clínica. Ela é a base que direciona os dois: quem sabe o que perguntar sabe também onde examinar e o que investigar.

Quem usa: médicos, dentistas, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, esteticistas e biomédicos. O miolo é parecido entre todos, e o que muda é o bloco extra que cada área acrescenta. Vou mostrar isso mais abaixo.

Qual a ordem correta da anamnese? (etapas e passos)

A ordem mais usada na prática vai do geral para o específico: identificação, queixa principal, história da queixa atual, antecedentes pessoais, antecedentes familiares, hábitos, medicamentos e alergias, e fechamento com revisão e consentimento.

E os famosos 7 passos e as 4 etapas? Não existe um padrão oficial único. A nomenclatura muda conforme a área e o autor: uns juntam identificação e queixa, outros separam medicamentos de alergias. O que importa é a lógica da sequência. Segue a que eu uso:

  1. Identificação. O que perguntar: nome, data de nascimento, contato, profissão. Por que importa: confirma quem é o paciente e dá contexto (idade e ocupação mudam a conversa).
  2. Queixa principal (QP). O que perguntar: o que trouxe a pessoa até você, nas palavras dela. Por que importa: define o foco da consulta e mostra a expectativa do paciente.
  3. História da moléstia atual (HMA). O que perguntar: quando começou, como evoluiu, o que piora, o que melhora, o que já tentou. Por que importa: é o coração do raciocínio clínico.
  4. Antecedentes pessoais. O que perguntar: doenças, cirurgias, internações, procedimentos anteriores e reações. Por que importa: revela riscos e contraindicações.
  5. Antecedentes familiares. O que perguntar: doenças frequentes em parentes próximos. Por que importa: aponta predisposições.
  6. Hábitos e estilo de vida. O que perguntar: sono, alimentação, atividade física, tabaco, álcool, exposição solar. Por que importa: explica parte do quadro e orienta a conduta.
  7. Medicamentos e alergias. O que perguntar: tudo o que usa (inclusive suplemento e pomada) e a que tem alergia. Por que importa: evita interação e reação adversa.
  8. Revisão final e consentimento. O que perguntar: algo que ficou de fora? Tudo certo para registrar? Por que importa: pega o que o paciente lembrou só no fim e formaliza o registro.

A versão de 4 etapas é a mesma sequência encurtada: identificação, queixa e história atual, antecedentes (pessoais e familiares) e hábitos. Medicamentos e alergias costumam ficar dentro dos antecedentes.

Uma dica de condução que ajuda muito: comece com pergunta aberta (me conta o que te trouxe aqui) e deixe as perguntas fechadas, do tipo sim ou não, para depois. Na queixa principal, anote com as palavras do paciente. Dor de cabeça que parece uma faixa apertando diz mais do que cefaleia tensional escrito às pressas.

Modelo de ficha de anamnese pronto para copiar

Este é um modelo-base. Copie, cole no seu editor e adapte à sua especialidade. Legenda: (O) campo obrigatório para quase toda área; (A) campo opcional ou que depende da área.

Modelo-base

  • Identificação: nome completo (O); data de nascimento (O); telefone e e-mail (O); profissão (A); como conheceu a clínica (A).
  • Queixa principal (QP): motivo da consulta, nas palavras do paciente (O).
  • História da moléstia atual (HMA): início, evolução, fatores de piora e melhora, tratamentos já tentados (O).
  • Antecedentes pessoais: doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, doenças autoimunes e câncer (O); cirurgias e internações (O); procedimentos anteriores e reações (A).
  • Antecedentes familiares: doenças relevantes em parentes de primeiro grau (A).
  • Medicamentos em uso: nome, dose e há quanto tempo, incluindo suplementos (O).
  • Alergias: medicamentos, látex, anestésicos, cosméticos, alimentos (O).
  • Hábitos: tabagismo, álcool, sono, atividade física, alimentação, exposição solar (A).
  • Gestação e lactação: gestante ou lactante, ou possibilidade de gravidez (O quando se aplica).
  • Dispositivos implantados: marca-passo, próteses, implantes metálicos (A, mas obrigatório em estética e fisioterapia com eletroterapia).
  • Observações do profissional: campo livre (O).
  • Data, local e assinatura do paciente e do profissional (O).

Exemplo preenchido (paciente fictícia, só para ilustrar)

  • Identificação: Marina S., 34 anos, professora.
  • QP: Minha pele está manchada desde a gravidez e eu queria melhorar isso.
  • HMA: manchas na bochecha há cerca de dois anos, pioram no verão; já usou clareador por conta própria, sem acompanhamento.
  • Antecedentes pessoais: hipotireoidismo; sem cirurgias.
  • Medicamentos: levotiroxina, uso diário.
  • Alergias: nega alergias conhecidas.
  • Hábitos: usa protetor solar só às vezes; dorme 6 horas por noite.
  • Gestação e lactação: não gestante; não amamenta.
  • Observações: confirmar uso de ácidos na rotina antes de indicar qualquer procedimento.

Como adaptar o modelo

Na consulta de retorno, você não precisa refazer tudo. Corte identificação, antecedentes familiares e história antiga, e atualize só o que muda: queixa atual, medicamentos, gestação, cirurgias novas e hábitos.

A ficha não é eterna

Uma esteticista me contou de uma cliente que chegou para radiofrequência numa tarde corrida. Ficha preenchida meses antes, tudo certo. No meio da conversa, a cliente comentou que tinha colocado um DIU de cobre. A informação não estava na ficha porque a ficha era anterior. A sessão parou ali para checar, e foi a atitude certa. Só mostrou como um campo desatualizado quase vira problema.

Por isso, peça confirmação das informações a cada 3 a 6 meses ou quando houver mudança relevante. Uma pergunta antes de cada atendimento já resolve boa parte: tem alguma novidade de saúde desde a última vez? Mudou algum remédio?

Não tenho tempo para anamnese detalhada

Objeção legítima para quem tem agenda apertada. A resposta é que você não precisa refazer tudo sempre. O trabalho pesado é montar uma vez a ficha completa e, depois, usar a versão focada ou de retorno. Cinco minutos de checagem antes do atendimento custam bem menos do que um problema que poderia ter sido evitado.

Quais são os tipos de anamnese?

A classificação mais frequente separa três tipos: completa (ou inicial), focada na queixa e de retorno (ou seguimento). A divisão muda conforme a fonte, e alguns autores usam outras categorias, então vale se guiar pela prática da sua área.

  • Completa ou inicial: primeira consulta, percorre todas as etapas. É a mais longa, e o tempo varia muito com a especialidade e com o paciente.
  • Focada: direcionada à queixa do dia, quando o paciente já tem histórico registrado. Aprofunda a HMA e confere o que pode ter mudado.
  • De retorno ou seguimento: acompanha a evolução e atualiza medicamentos, hábitos e eventos novos. É a mais rápida.

Quanto ao formato, a anamnese pode ser estruturada (formulário com campos definidos) ou livre (texto corrido). A estruturada padroniza e evita esquecer perguntas, mas pode engessar a conversa e levar o profissional a marcar caixinhas sem escutar. A livre capta nuances, mas depende da memória de quem escreve e pode deixar lacunas. Eu uso estrutura nos campos de segurança (alergias, medicamentos, gestação) e texto livre na queixa e na história atual.

O paciente pode preencher a ficha antes, no papel ou em formulário que a clínica envie, como adiantamento. Mas o profissional precisa confirmar as respostas na entrevista, porque o paciente nem sempre sabe o que é relevante. Quem preenche rápido na sala de espera costuma esquecer o remédio que toma só de vez em quando.

Ficha de anamnese para estética: campos extras por procedimento

Na estética, a ficha-base ganha campos de segurança que mudam a decisão sobre o procedimento. A ficha de anamnese estética precisa perguntar, além do modelo acima, sobre estes pontos:

  • Isotretinoína (uso atual ou recente): deixa a pele mais fina e sensível, e muitos procedimentos exigem avaliação do prescritor antes.
  • Gestação e lactação: várias técnicas e produtos pedem cautela nesses períodos.
  • Fotossensibilidade: uso de ácidos, retinoides e certos medicamentos aumenta o risco de manchas e queimaduras.
  • Histórico de queloide e cicatrização: quem cicatriza mal pode reagir mal a procedimentos que agridem a pele.
  • Herpes: em tratamentos faciais, o procedimento pode reativar o vírus.
  • Alergias a cosméticos e anestésicos tópicos: evitam reação no meio da sessão.
  • Anticoagulantes: aumentam risco de sangramento e hematoma.
  • Marca-passo e implantes: importantes para quem trabalha com eletroterapia, como radiofrequência.

Por procedimento

  • Limpeza de pele: tipo de pele, acne ativa, uso de ácidos, sensibilidade, reações anteriores a extrações.
  • Peeling: tipo de pele, intervalo desde o último peeling, uso recente de ácidos e retinoides, histórico de manchas pós-inflamatórias, herpes.
  • Depilação a laser: fototipo (escala de Fitzpatrick), exposição solar recente, fotossensibilizantes, bronzeamento, herpes na área.
  • Micropigmentação: alergia a pigmentos, tendência a queloide, doenças de pele na área, anticoagulantes, herpes labial para lábios.
  • Massagem: trombose, varizes, infecção ativa, histórico oncológico, dores e lesões prévias.
  • Procedimentos corporais: insuficiência cardíaca ou renal, trombose, implantes metálicos na região, gestação, cicatrizes cirúrgicas recentes.

Registrar o termo de consentimento é parte da rotina. Para fotos de antes e depois, peça autorização por escrito, dizendo para que as imagens serão usadas. A ficha e o consentimento se complementam, e eu detalhei isso em ficha e consentimento na estética.

Uma observação importante: as contraindicações variam conforme técnica, equipamento e categoria profissional. Valide a lista com o responsável técnico e com o conselho da sua categoria. A esteticista não substitui a avaliação médica, e em caso de dúvida sobre o quadro do cliente, encaminhe.

Ficha de anamnese odontológica e psicológica: o que muda?

Na odontologia o foco vai para o risco sistêmico e para o procedimento; na psicologia, para a demanda, o histórico de cuidado e o risco. A estrutura-base continua, e o que muda são os blocos extras.

Ficha de anamnese odontológica

A ficha de anamnese odontológica costuma acrescentar:

  • Pressão arterial: afeta a escolha do anestésico e a segurança de procedimentos longos.
  • Diabetes e cardiopatias: influenciam cicatrização, risco de infecção e planejamento da consulta.
  • Anticoagulantes: importantes antes de extrações e cirurgias, pelo risco de sangramento.
  • Alergia a anestésico, látex e antibióticos: evitam reação grave no consultório.
  • Gestação: orienta a escolha de medicamentos e o melhor momento para certos procedimentos.
  • Bruxismo e tabagismo: afetam desgaste dentário, doença periodontal e resultado de tratamentos.

A anamnese se liga ao odontograma: a primeira diz o que o paciente tem de risco, o segundo registra o que existe na boca. Para quem quer o registro digital do plano de tratamento, escrevi sobre odontograma digital para dentista autônomo.

Ficha de anamnese psicológica

Quem procura ficha de anamnese psicológica em PDF costuma querer um roteiro. O modelo-base serve de ponto de partida, e você acrescenta:

  • Queixa e demanda: o que a pessoa diz que a trouxe e o que espera da terapia.
  • Histórico de tratamento: terapias anteriores, uso de medicação psiquiátrica, internações.
  • Sono: alterações costumam acompanhar vários quadros e ajudam a entender a rotina.
  • Uso de substâncias: álcool e outras drogas, em linguagem sem julgamento.
  • Rede de apoio: quem está por perto na vida real.
  • Avaliação de risco: perguntar com cuidado e tranquilidade sobre pensamentos de autolesão, seguindo seu protocolo.

Escalas como PHQ-9 (depressão) e GAD-7 (ansiedade) podem entrar como complemento. Elas rastreiam sintomas, não fecham diagnóstico, e o resultado precisa ser interpretado por quem conduz o caso.

Tanto na odonto quanto na psicologia, cada conselho (CFO e CFP) tem regras próprias sobre o que registrar e como guardar. Na psicologia, o cuidado com o sigilo é grande: pense no que realmente precisa entrar no registro. Consulte as normas atualizadas do seu conselho antes de definir o seu modelo.

Papel ou digital? LGPD, guarda e assinatura da anamnese

A ficha de anamnese contém dado pessoal sensível, e por isso a LGPD (Lei 13.709/2018) pede base legal para o tratamento, acesso restrito e cuidado com a guarda. Não importa se o suporte é papel ou computador.

Sobre o prontuário, a Resolução CFM 1.638/2002 o define como documento do paciente, e a Lei 13.787/2018 trata da digitalização e prevê guarda mínima de 20 anos para prontuários em papel ou digitais. Confirme a regra da sua categoria com o conselho, porque pode haver exigências específicas. Se quiser um passo a passo, veja o que a LGPD exige no consultório pequeno.

No papel, os riscos são perda, letra ilegível e ficha exposta na recepção. No digital, dá para ter acesso por perfil, registro de quem abriu cada ficha e assinatura digital com certificado ICP-Brasil. Uma comparação honesta:

  • Caderno ou ficha impressa: barato e sem curva de aprendizado. Em compensação, é difícil de buscar, pode se perder ou ser lido por quem não deve e ocupa espaço (por 20 anos).
  • Planilha ou Word: fácil de copiar e editar. Mas o controle de acesso depende de você, o histórico fica espalhado em arquivos e é simples criar versões conflitantes.
  • Prontuário eletrônico: concentra o histórico, permite acesso por perfil e facilita atualizar a ficha. Exige escolher bem a ferramenta e manter o cuidado com senhas e backup.

Sobre assinatura, ter a assinatura ou o registro de ciência do paciente é boa prática e reforça o valor do documento. Se quiser entender melhor as vantagens, leia anamnese digital: por que é melhor que papel.

Como usar a anamnese no prontuário eletrônico

No prontuário eletrônico, a anamnese vira modelo reaproveitável: você monta a ficha uma vez e usa em todo paciente novo. Modelos por especialidade, como odontograma, nutrição, psicologia, fisioterapia e ginecologia com pré-natal, evitam refazer a ficha toda vez.

O histórico fica junto da evolução, sem procurar papel entre pastas. Na consulta de retorno, você abre o registro e vê o que mudou. Para organizar a evolução depois da anamnese, veja a estrutura SOAP do prontuário médico.

Atualize a ficha periodicamente e registre mudanças: nova medicação, gestação, cirurgia. Um bom hábito é abrir a ficha no início do atendimento e conferir os três campos de segurança: medicamentos, alergias e gestação.

Prefere preencher no computador e manter o histórico do paciente organizado? O plano gratuito do Consultório Grátis tem modelos de prontuário por especialidade e não tem prazo de teste. Se preferir começar pelo papel, copie o modelo acima e coloque ao lado a lista de contraindicações dos três procedimentos ou condutas que você mais faz. O que estiver faltando na ficha, adicione ainda hoje, antes do próximo paciente sentar.

Perguntas frequentes

O que é uma ficha de anamnese?

É o documento de entrevista estruturada que registra o histórico de saúde, a queixa, os hábitos e os dados pessoais do paciente ou cliente. Serve de base para a conduta do profissional e integra o prontuário.

Como fazer uma ficha de anamnese?

Defina os campos essenciais (identificação, queixa, antecedentes, medicamentos, alergias e hábitos), adapte à sua especialidade, deixe espaço para observações, inclua data e assinatura e revise periodicamente. O modelo-base desta página pode ser copiado e ajustado.

Quais são os 7 passos da anamnese?

Não há padrão oficial único, e as fontes variam. A sequência prática usada neste artigo é: identificação, queixa principal, história da moléstia atual, antecedentes pessoais, antecedentes familiares, hábitos, medicamentos e alergias, e revisão com consentimento.

Quais são as 4 etapas da anamnese?

Uma versão resumida comum é: identificação, queixa principal e história atual, antecedentes (pessoais e familiares) e hábitos ou estilo de vida. É uma simplificação da mesma sequência, com medicamentos e alergias geralmente dentro dos antecedentes.

Qual a ordem correta da anamnese?

Do geral ao específico: dados e queixa principal primeiro, depois história atual, antecedentes, hábitos, medicamentos e alergias, e o fechamento com revisão e consentimento. Comece por perguntas abertas e deixe as fechadas para depois.

Quais são os três tipos de anamnese?

A classificação mais frequente é completa ou inicial, focada na queixa e de retorno ou seguimento. Alguns autores usam outras divisões, então vale conferir a terminologia adotada na sua área.

A ficha de anamnese precisa de assinatura e por quanto tempo guardar?

A assinatura ou o registro de ciência do paciente é boa prática e reforça o valor do documento. A guarda de prontuário segue a Lei 13.787/2018, com mínimo de 20 anos, e as normas do conselho. Confirme a regra da sua categoria com o conselho profissional.

Por Equipe Consultório Grátis em 22/07/2026 09:00:00

Comece agora com o software gratuito para o seu consultório


Consultório Grátis - Software gratuito para consultórios e clínicas